Como construir famílias saudáveis 2

Par conjugal. Refletindo sobre a construção da identidade de casal.
C.S.Lewis, famoso escritor irlandês, afirmou que todo indivíduo tem um tema, assuntos que o empolgam, uma história em desenvolvimento e características que o identificam. Ao longo da vida, mudamos, nos transformamos, aprendemos a lidar com novas realidades e a administrar as complexidades do universo adulto. São mudanças físicas e psicológicas. Sem dúvida, somos pessoas em transformação.

Por outro lado, todos nós mudamos dentro de certa permanência. Sempre preservaremos características que nos identificarão. Por exemplo, uma criança bem-humorada, extrovertida, será provavelmente um adulto de natureza expansiva e gregária. Por sua vez, uma criança muito fechada, de natureza tímida, será provavelmente um adulto menos inclinado para o estabelecimento amplo de contatos sociais. Timidez não é defeito. Entretanto, estamos procurando marcar que todos nós temos uma identidade, não obstante as muitas mudanças que sofremos ao longo da vida.
Desta afirmação, surge a pergunta: Como essa identidade foi construída? Como ocorre o processo de personalização, de individuação? De acordo com a psicologia profunda ou psicanálise, o processo de conversão para ser pessoa é algo da ordem do diálogo.

(1) Do diálogo do indivíduo consigo mesmo, fruto do exercício de olhar para dentro de si. É interessante perceber que a Bíblia também nos conclama a praticar esse diálogo (Salmo 42, Lucas 5, Lucas 15. (2) Do diálogo com o outro, alguém que sempre encontro num processo tão difícil quanto o meu - já que todos nós enfrentamos problemas nessa jornada de conversão para ser pessoa. (3) Por fim, do diálogo com o mundo, com a sociedade, com o meio em que vivemos.
É por meio dessa interação, presidida pelo diálogo, que construímos nossa identidade.
Assim como o diálogo é essencial para a construção de nossa identidade individual, de igual modo é fundamental para a construção da identidade de casal. Cada cônjuge apresenta uma forma diferente de ver a realidade. É através do diálogo que o casal constrói uma nova visão da realidade. Na medida em que o casal conversa e convive, fortifica-se o vínculo e surge o “eu conjugal”.

A identidade do casal é fruto de um processo de interação entre as dimensões individuais e conjugais, presididas pela conversação. As pesquisas demonstram que a ausência de uma boa comunicação é uma das queixas principais dos casais que desistem do casamento. Para que a comunicação seja bem-sucedida é preciso partir de uma premissa de respeito mútuo. Homem e mulher foram criados à imagem de Deus em idêntica dignidade. Ainda, respeitar a opinião do cônjuge, incluindo as que contrariam as nossas (essencial para uma boa comunicação). Por fim, verbalizar adequadamente sentimentos, desejos ou negações sem ferir o outro. Não utilizar insultos ou desqualificações (Pv 18.21, Pv 16,24, Ef 4.29). Vale dizer que a responsabilidade da comunicação é do que fala e do que ouve (Tg 1.19).
Acredito que tenha ficado demonstrado que o diálogo é fundamental para a consolidação do casamento. Assim sendo, sigamos adiante conversando, mantendo sempre abertos os canais de diálogo. Cientes de que, conforme afirmam os especialistas, “quem não se comunica, vira estatística”.

Pr. Aloisio Said Bacelar

 
 

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